Sexualidade

Vaginismo X Dispareunia X Vulvodínia: Como diferenciar?

Olá meninas!

Feliz Ano Novo a todas!!! (Só pra avisar, esse texto está beeeeem comprido)

Originalmente estávamos preparando uma postagem de inicio de ano explicando como funciona o processo de Avaliação Fisioterapêutica para casos de sexualidade, as modalidades de tratamento e suas consequências (tanto de tempo quanto psicológicas) e falando um pouco sobre os projetos para este ano.

No entanto, apenas nestas duas primeiras semanas do ano, curiosamente, temos recebido muitos e-mails, mensagens e ligações de mulheres que alegam terem sido diagnosticadas com Vaginismo, mas o relato dos seus sintomas sugere que seja outra disfunção. Além disso, temos recebido muitas perguntas de mulheres que tem dúvidas se tem Vaginismo (ou alguma disfunção sexual similar), e perguntam como fazer para se auto-diagnosticar com relação a isso, pois muitas vezes não sabem direito o que tem e frequentemente acreditam que apenas elas têm esse tipo de problema.

Falamos curiosamente, porque apesar de estatisticamente a Dispareunia ser muito mais comum, em geral, a procura principal por tratamento é para os casos de Vaginismo (pelo menos aqui na Clínica). As mulheres que apresentam Dispareunia, muitas vezes levam anos para procurar tratamento (e às vezes nunca), por não considerar como um problema grave ou não encontrar profissionais que possam ajuda-las a resolver o problema.

Embora disfunções sexuais como o Vaginismo, Dispareunia e Vulvodínia serem conhecidas há bastante tempo, não existe nenhum teste ou exame específico para sua determinação. Na prática, o diagnóstico é obtido de maneira indireta através de levantamento do histórico familiar (e pessoal), além de avaliação física. Apesar dessas condições apresentarem um quadro sintomatológico clássico bem definido, não é incomum o surgimento de variações dessas condições (onde os sintomas acabam se confundindo).

Por isso a avaliação inicial é de extrema importância para o tratamento, tanto do ponto de vista fisioterapêutico quanto do psicológico. Por exemplo, uma paciente “diagnosticada” com Vaginismo quando na realidade tem Dispareunia, pode chegar abalada psicologicamente no consultório devido ao encontro de uma série de relatos dramáticos sobre a condição que existem na internet. Após a avaliação, quando se explica para a paciente que o que ela tem é na verdade uma Dispareunia (que é uma disfunção relativamente mais fácil e mais rápida de se tratar), ela já sai se sentindo mais confiante do consultório, e essa melhoria do quadro psíquico ajuda a reduzir bastante o número de sessões necessárias para que a paciente obtenha alta.

Para facilitar, vamos explicar de maneira geral o que são essas disfunções e falar um pouco sobre os seus sintomas clássicos (lembrando sempre que o seu caso pode ser uma variação). Em todos os casos tomamos o cuidado de evitar “absolutismos” ou definições drásticas de cada condição, pois como já dissemos anteriormente, apenas com a avaliação física é que podemos determinar mais acuradamente qual é a condição exata da paciente.

 

VAGINISMO:

Quando a mulher não apresenta alterações anatômicas e não consegue ter penetração do pênis (e/ou não consegue realizar exames ginecológicos, introduzir outro objeto como absorvente interno, etc), podemos considerar que ela tenha Vaginismo. Outros sintomas físicos comuns incluem o “travamento” das pernas, da região dos glúteos e do assoalho pélvico. Além disso, essas mulheres sempre apresentam um quadro psicológico associado de ansiedade e medos diversos (p. ex.: de engravidar, dor na penetração, de se entregar, etc). Embora os sintomas psicológicos possam oscilar bastante tanto em termos de variedade quanto de intensidade, eles sempre estarão presentes num quadro de Vaginismo.

Variações: embora raro, pode haver um quadro de dor perineal associada (devido à contração dos músculos dessa região). Em alguns casos, a mulher pode conseguir realizar exames ginecológicos mesmo que não seja possível a penetração por outros objetos, e vice e versa.

Importante: O Vaginismo não necessariamente precisa ser inato (“de nascença”), às vezes pode ser adquirido ao longo da vida da mulher, normalmente após algum evento traumático (estresse, partos, cirurgias na região, etc), nesses casos é chamado de Vaginismo Secundário. Em geral, as mulheres com Vaginismo Secundário apresentam uma amplificação do quadro de ansiedade, justamente por causa do surgimento repentino dessa condição.

Curiosidade: Ocasionalmente, algumas mulheres com vaginismo relatam sentir ardência e dor (principalmente) nas “tentativas” de penetração, no entanto, o que normalmente acontece é que elas acham que irão sentir dor (e não que sintam essa dor propriamente) e acabam contraindo a musculatura perineal, o que faz com que elas passem realmente a sentir dor.

 

DISPAREUNIA:

Quando a mulher consegue ter penetração, mas com quadro associado de dor (bastante variável) exclusivamente ao longo do canal vaginal, podemos considerar que ela possa ter Dispareunia. Essa condição em geral é adquirida ao longo da vida adulta (a mulher previamente não apresenta o quadro de dor) e pode ser causada por estresse, endometriose, problemas hormonais, e diversos outros tipos de alterações na região (como infecções, cirurgias, parto vaginal ou cesariana, radioterapia, etc).

Se a mulher não estiver em tratamento ou aparentemente não possuir nenhuma dessas condições, o ideal é procurar uma ginecologista para verificar se há algum problema e eliminar outros potenciais motivos para a dor perineal. Se o clínico não conseguir encontrar nenhum motivo aparente para a dor, a mulher poderá procurar uma Fisioterapeuta para realizar uma avaliação do assoalho pélvico, pois a dor pode ser decorrente de uma musculatura do assoalho pélvico mais “rígida”, com pontos de dor e tensão.

Variações: Embora classicamente não esteja associada à um quadro psicológico específico, normalmente quando a Dispareunia é “de nascença”, as pacientes tendem a apresentar alguns elementos psicológicos típicos do Vaginismo. Apesar da Dispareunia ser uma condição relativamente fácil de ser tratada, nesses casos em específico, o tratamento é um pouco mais trabalhoso e pode ser que seja necessário um acompanhamento psicoterapêutico paralelo.

Importante: Ocasionalmente mulheres com um quadro de Dispareunia crônica podem experimentar dificuldades na penetração, sugerindo que possa ser uma Dispareunia Severa que começa a se “transformar” em um Vaginismo Secundário. Por isso é importante que as mulheres não ignorem o quadro de dor perineal, pois o que poderia ser resolvido rapidamente pode se transformar em um problema muito maior que demandará muito mais tempo para ser resolvido, além de todo o transtorno na qualidade de vida da pessoa.

 

VULVODÍNIA:

Ao contrário da Dispareunia, na qual a dor está relacionada exclusivamente ao ato sexual e restrita ao canal vaginal, a Vulvodínia caracteriza-se pela sensação constante ou intermitente de dor, ardência e queimação no todo ou em partes da vulva (que é a “parte externa da vagina”: clitóris, grandes e pequenos lábios e na “entrada” do canal vaginal), não estando restrita ao ato sexual. Esses sintomas também podem se manifestar ao encostar os dedos ou a roupa íntima na região. Apesar de todas as possíveis causas ainda não serem conhecidas, a Vulvodínia pode surgir devido a diversos fatores: infecções ou inflamações na região vaginal (persistentes e recorrentes), alergias, alterações hormonais, neuropatias, etc.

A Vulvodínia, por apresentar esse quadro de dor e desconforto constante, pode afetar significativamente a qualidade de vida da mulher, podendo causar até uma depressão e afetar a vida conjugal, uma vez que o desconforto impede ou diminui bastante a atividade sexual do casal.

Importante: Nos casos de Vulvodínia, é necessário que a mulher tenha tanto acompanhamento da Médica Ginecologista quando da Fisioterapeuta Uroginecológica, já que em geral será necessária a utilização de medicamentos paralelamente à fisioterapia.

 

Ufa!

Vocês não fazem ideia do trabalho que deu pra nós organizarmos essas classificações. Sabemos que não estão perfeitas, mas nesse meio tempo em que estávamos terminando, mais mulheres entraram em contato com as mesmas dúvidas (o que acabou atrasando em mais alguns dias este post), por isso demos uma “aceleradinha” nas coisas. Mas o processo foi muito interessante porque acabamos tendo vários “estalos” sobre as condições e seus tratamentos, logo mais teremos novidade na área!

É sempre bom lembrar que o tratamento fisioterapêutico resolve as questões físicas e por isso acaba ajudando a diminuir bastante as questões de ansiedades e medos, mas muitas vezes os aspectos psicológicos inerentes (no caso do vaginismo) e adquiridos dessas três condições podem continuar a afetar a vida sexual e/ou conjugal das mulheres mesmo após o fim do tratamento. Por isso, é importante que as mulheres não descuidem desses aspectos psicológicos das disfunções sexuais. Como já dissemos anteriormente, o fator principal de problemas nos relacionamentos não é a ausência/diminuição da quantidade de relações sexuais, mas devido a uma série de outros comportamentos.

Vamos ver se conseguimos terminar pelo menos mais dois posts até o final do mês (difíiiicil…).

Bom, mas por enquanto é isso…

 

Se quiserem esclarecer dúvidas podem entrar em contato comigo no e-mail: liviafrulani@corporemente.com

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bjs queridas!!!

 

 

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9 comentários em “Vaginismo X Dispareunia X Vulvodínia: Como diferenciar?

  1. Olá, boa tarde.
    Então, tenho 4 meses de vida sexual ativa com o meu namorado. Tenho penetração normal, uso absorvente interno, consigo fazer exame de toque no ginecologista, inserir os dedos e etc, o problema é q toda vez que vou ter penetração com o meu namorado(independente da posição) sinto uma ardência na entrada da minha vagina, porém depois que o pênis entra essa ardência some e sinto bastante prazer. O que pode ser? Será que é uma disfunção (dispareunia talvez)?, Estou com muitas dúvidas relacionadas a isso.
    Desde já, obrigada!

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    1. Olá Ana Carolina,

      O que posso te dizer com certeza é que não é um caso de vaginismo, pois no vaginismo a mulher não consegue introduzir algo na vagina, seja os dedos, absorvente interno, fazer exames ginecológicos ou o próprio pênis.

      Agora, sem uma avaliação de todo o seu histórico e sem fazer uma avaliação física fica difícil de falar com certeza o que pode ser, pois a ardência pode aparecer por diversos motivos durante a penetração ou relação sexual.

      O ideal seria passar por uma avaliação de Fisioterapia Uroginecológica para verificar se o que você tem é uma dispareunia bem leve ou se pode ser um caso de vulvodínia. Caso a fisioterapeuta ache necessário, ela te encaminhará para uma ginecologista de confiança para verificar se não há infecções que possam estar causando essa ardência.

      Espero ter te ajudado de alguma forma!

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  2. Olá!
    Sou casada há 1 ano e meio, tenho 30 anos. Consigo ter relações com penetração com meu marido, embora, às vezes sinto incômodos. Porém, não consigo realizar exames ginecológicos. Já tentei o papa e o ultrassom transvaginal, sinto muita dor e os médicos acabam desistindo. O que será que eu tenho?

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    1. Olá Amanda,

      Desculpe por demorar a responder sua mensagem.
      Provavelmente você tem Vaginismo, pois apesar de você conseguir ter penetração você não consegue realizar exames ginecológicos.
      O vaginismo ocorre quando não é possível introduzir algo na vagina, seja o pênis ou qualquer outro objeto (no seu caso, os aparelhos utilizados para realizar exames ginecológicos).
      Mas não se preocupe, Vaginismo tem tratamento! E a Fisioterapia Uroginecológica pode te ajudar nesse processo!

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