Depoimentos · Sexualidade

Coragem, perseverança e mentalidade positiva: elementos fundamentais no Tratamento do Vaginismo

Olá meninas,

Mais uma vez pedimos desculpas pelo sumiço aqui no Blog, mas com a agenda lotada mesmo no inverno (isso porque o pessoal não é muito chegado em fazer fisioterapia no frio) fica difícil para sentar, discutir e fechar os textos. Na verdade, estivemos trabalhando em vários posts nesse meio tempo, mas sempre ficamos na dependência de uma informação ou outra que ainda não explicamos aqui no Blog, da complexidade de alguns assuntos, e alguns deles ainda não estão bons o suficiente para evitar o problema de interpretações erradas.

Para não atrasar ainda mais as postagens, resolvemos colocar um depoimento (ainda essa semana vamos colocar um texto complementar) de um caso que atendi há muitos anos (na época eu ainda não tinha montado o Blog e muito menos a seção de Depoimentos) e tive muita sorte que o caso dela foi bem simples de resolver (foram quatro sessões até conseguir a penetração completa sem dor, e na quinta dei alta). Com a experiência que tenho hoje, fico imaginando como as coisas poderiam ter sido muito diferentes se esta paciente apresentasse um quadro psicológico típico do Vaginismo.

Ficaram confusas? Vou explicar.

Normalmente as mulheres que tem Vaginismo acabam levando muito tempo para descobrir o que tem e na maioria das vezes, acabam procurando tratamento apenas quando a relação com o parceiro já está bastante desgastada ou à um passo da separação. Isso não quer dizer que a demora para o diagnóstico é tanta que as relações acabam deteriorando nesse meio tempo. Na maioria dos casos, as mulheres evitam procurar o tratamento pelo simples motivo de querer evitar o assunto pelo maior tempo possível. Não é incomum que durante a avaliação elas relatem que os parceiros sempre foram compreensivos mas “de um tempo pra cá” se tornaram intolerantes com a questão sexual. Só para constar, a “questão sexual” normalmente não é a causa da intolerância dos parceiros, mas sim uma série de comportamentos e manias que as mulheres com Vaginismo normalmente apresentam (mas isso é uma outra história… esse texto vai sair um dia, prometo!). Considerando tudo isso, não é raro que as mulheres cheguem na Avaliação Fisioterapêutica sentindo-se depressivas, desesperançadas, acuadas e céticas da eficácia do tratamento.

No entanto, a autora do depoimento chegou no consultório cheia de coragem, esperança, determinação e com um objetivo bem claro que era conquistar a sua “liberdade” sexual (não por pressão do parceiro, mas sim por ela mesma). No entanto, ela possuía uma característica (que para nós aqui na Clínica identifica uma categoria específica de Vaginismo) que muitas vezes pode atrasar bastante o tratamento, que é o medo/”dor” por antecipação (ainda esta semana vamos postar o texto sobre medo por antecipação). Hoje, já desenvolvemos protocolos específicos para lidar com pacientes que apresentam esse quadro psicológico.

Na época, eu nem imaginava que esse tipo de variação existia, mas por sorte tivemos muita empatia desde o começo (o que ajuda muuuuuito na velocidade do tratamento) e a mentalidade positiva dela juntamente com sua perseverança para vencer o medo, ajudaram a superar o problema que poderia ter sido o medo/”dor” por antecipação, inclusive fazendo com que o tratamento dela fosse super rápido (5 sessões ao todo).

Bom, já nos demoramos demais… vamos ficando por aqui, pois essa semana ainda tem mais post pra vocês! 😀

bjs

 

“Aos meus 19 anos comecei a me envolver mais seriamente com rapazes, e estes obviamente, começaram a ‘avançar o sinal’, coisa normal… tudo certo, eu também queria! Estava empolgada e ao mesmo tempo com medo de ter a minha primeira relação sexual. Havia já ouvido de amigas que doía muito e que não era prazeroso, isso serviu para piorar o meu medo. E essa impressão de dor e sofrimento na relação sexual eu já tinha antes mesmo de minhas amigas me dizerem isso. Me lembro de ver cenas de pornô, por exemplo, e sentir aversão à penetração tão explícita, porque me trazia um sentimento de agonia, imaginava que aquelas mulheres sentiam dor e desconforto. Mas eu ainda não sabia do que se tratava.

Ao tentar ter a  minha primeira relação sexual, senti um pânico tão grande que sentia todo o meu corpo formigar, inclusive o céu da minha boca. Era um sentimento congelante que me impedia de seguir em frente com o que para mim parecia ser uma tortura. Apesar de sempre estar excitada para que esse momento acontecesse, quando chegava a hora da penetração, era sempre a mesma história.

Comecei a achar então que o problema eram os rapazes com quem eu saía e não eu. Pensava que eles não sabiam como fazer (o que em parte foi muito verdade). Muitos forçaram a barra um pouco mais do que deveriam ou achavam que eu estava fazendo ‘doce’ até eu explicar que de fato eu não conseguia.

E assim se seguiu até eu conhecer o Rui, na época, o meu primeiro amor, que quis ser meu namorado mesmo sem relação sexual. Foi aí que eu percebi que o problema não poderia ser ele. Coincidentemente, na mesma época contei a minha situação à uma amiga que me confessou sofrer de dispareunia e que portanto, tinha mais conhecimento sobre os distúrbios sexuais.

Foi então que eu resolvi procurar ajuda, agora tendo um parceiro que me apoiava para tal.

Minhas primeiras consultas com a Dra. Lívia Frulani foram tensas, porque eu estava tensa. Tinha medo da dor, e sentia dor antes mesmo de ser tocada. Mas me lembro de ter sido um processo de conscientização bem rápido. A Dra. Lívia mostrava experiência e conhecimento de caso, o que me deixou mais tranquila e confiante. Resolvi então confiar em seus métodos e depois de pouco tempo eu estava tendo relações sexuais com meu namorado.

O medo é o maior inimigo da gente, essa foi a grande lição que aprendi com minha história. Hoje em dia tenho uma vida sexual muito saudável, sou livre do vaginismo e gostaria de dizer a vocês que se toquem, que se conheçam e que se superem. Você só vai saber que não existe bicho papão se você tiver coragem de olhar embaixo da cama. Um passo de cada vez, tomando consciência de seu próprio corpo, com suas próprias mãos, você consegue perceber que a sua mente pregou em você uma peça que te impede de aproveitar sua vida plenamente.

Até hoje não sei ao certo o que me levou a ter esse contratempo na minha vida… Mas prefiro não mexer no que já passou. Procurei fazer o tratamento fisioterápico sem acompanhamento psicológico, o que para mim, funcionou tranquilamente, porque vi o problema como uma coisa prática que precisava ser resolvida de maneira prática. A Dra. Lívia foi como a mãe que bota a lanterna embaixo da cama e diz que não tem nada lá.

Espero que vocês sejam persistentes e que consigam superar esse obstáculo que é totalmente superável.

Um grande abraço,

Marcelly”

 

 

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