Sexualidade

Disfunções Sexuais Femininas: dificuldades no diagnóstico e orientação

Olá a todas,

“Não consigo fazer sexo”, “não consigo ter relação sexual”, “dor no sexo”, “não consigo penetração”, “tenho dor na penetração”, “não consigo fazer exame ginecológico”, “não consigo ter orgasmo”, “não tenho vontade de fazer sexo”… Estes são apenas alguns dos termos de busca mais comuns que as mulheres utilizam ao procurar informações na internet quando tem uma Disfunção Sexual. Só para esclarecer o Termo Disfunção Sexual (DS) refere-se à dificuldade sentida por uma pessoa durante qualquer estágio do ciclo sexual (desejo, excitação ou orgasmo).

Por incrível que pareça, mesmo nos dias de hoje ainda existem inúmeros aspectos das Disfunções Sexuais Femininas que foram pouquíssimo explorados pela ciência, e isso fica ainda mais evidente quando comparamos esse conhecimento ao das Disfunções Sexuais Masculinas. Quando falamos em DS Femininas aqui, estamos nos referindo principalmente àquelas que podem ser tratadas com auxílio da Fisioterapia Uroginecológica, que são: Vaginismo (dificuldade de penetração), Dispareunia (dor na relação), Vulvodínia (dor/ardência/queimação na vulva), Anorgasmia (dificuldade para ter orgasmo) e Desejo Sexual Hipoativo (falta/diminuição da vontade sexual).

Apesar de existirem muito mais mulheres do que homens, e as suas DS serem mais complexas, ainda é muito difícil para elas encontrarem amparo ou ao menos orientação sobre uma série de questões, enquanto que no caso dos homens, a maioria das suas DS são amplamente divulgadas em todo tipo de mídia, seja descrição, orientação ou a grande diversidade de tratamentos (tem até comercial que passa no intervalo do jornal das 7h da manhã!!).

Uma das explicações é que comparativamente as DS masculinas são mais “fáceis” e comercialmente interessantes de serem tratadas do que as femininas. As DS masculinas (na sua grande maioria) podem ser “facilmente” remediadas através de métodos cirúrgicos (próteses) ou medicamentosos (tipo a famosa “pílula azul”).

Além disso, a complexidade de fatores fisiológicos, orgânicos e psicológicos das DS femininas sugere que seja praticamente impossível que elas sejam resolvidas através de métodos cirúrgicos ou exclusivamente medicamentosos, fazendo com que exista um interesse muito menor por parte da indústria farmacêutica e, consequentemente, uma grande redução no financiamento de pesquisas.

Curiosamente, apesar de todo o investimento financeiro no estudo e desenvolvimento de tratamento para as DS masculinas, o máximo que a ciência chegou foi à remediação dessas condições, ou seja, qualquer tratamento utilizado apenas substitui a função perdida ou deteriorada, mas ainda não é capaz de restaurar a função original. Já as DS femininas (com exceção de casos neurológicos ou má-formações congênitas), mesmo com um investimento infinitamente menor em pesquisas, podem ser totalmente resolvidas através da Fisioterapia Uroginecológica (componente físico), Psicoterapia (componente psíquico) e medicamentos (componente fisiológico).

Além disso, existem vários outros tabus envolvidos que dificultam aos pesquisadores do assunto avaliarem e estudarem pessoas que portam essas condições. Aqui no Brasil talvez o principal fator seja a “formação moral” na qual estamos inseridos, o que faz com que muitas mulheres vejam as questões sexuais como algo “sujo”, e não como uma coisa natural.

Por exemplo, no caso do Vaginismo, acredita-se que ao menos 2 em cada 1000 mulheres apresentem a condição. No Brasil, de acordo com o Prosex, acredita-se que o número de mulheres com dor na relação esteja em torno de 40% da população, mas esses números podem ser muito maiores devido ao fato de muitas mulheres acharem que sentir dor é normal (seja por influência de amigas/parentes ou aconselhamento de profissionais de saúde) e raramente procurarem tratamento. Vale lembrar que esses dados são projetados sobre a pequena porcentagem de mulheres que efetivamente procuram e recebem tratamento, e são um pouco vagos principalmente pelo fato de que muitas não procuram ajuda devido a questões de vergonha e constrangimento.

Infelizmente, a grande maioria das que procuram algum tipo de ajuda ou orientação, acabam recebendo um diagnóstico inicial incorreto e muitas delas nunca chegam a saber o nome do que tem e nem a receber um tratamento adequado (portanto não entram nas estatísticas acima), fazendo com que várias desistam de ter relacionamentos (e muitas vezes qualquer tipo de relações sexuais) por pensarem que o que elas têm é raro, incomum e que elas não podem ser ajudadas.

Assim, finalmente chegamos ao objetivo do texto de hoje que é a desinformação de grande parte dos ginecologistas em relação à ocorrência e orientação sobre as DS femininas.

Mais de 90% das mulheres que fazem o tratamento aqui na clínica se queixam de ter passado por mais de dois ginecologistas sem obter nenhum diagnóstico (a menos que “isso é frescura sua” possa ser considerado como diagnóstico) ou orientação. Algumas das que perseveraram (porque grande parte delas acaba desistindo por aí), eventualmente acabaram encontrando algum profissional que disse que era “um problema da cabeça delas” e mandou procurar um psiquiatra/psicoterapeuta/sexólogo. Por fim, as que ainda não se deram por vencido na “busca pela diagnóstico perdido”, e acabaram gastando uma quantia considerável de dinheiro em inúmeras consultas com médicos particulares, em alguns casos conseguiram descobrir o que elas realmente tinham.

Acham pouco? No caso mais rápido (de vaginismo) que recebemos aqui, a mulher conseguiu um diagnóstico em 6 meses, no mais demorado levou em torno de 20 anos. Tudo isso na cidade de São Paulo! Desses 90%, mais de 70% delas só desconfiou/descobriu realmente o que tinha através de pesquisas na Internet.

Os nossos dados mostram que o baixo índice de informação sobre o assunto não varia muito entre profissionais de ginecologia particulares e conveniados a planos de saúde, mas curiosamente profissionais do SUS e de outras iniciativas como por exemplo o “Dr. Consulta” têm apresentado um maior conhecimento sobre as DS.

Todos esses fatores fazem com que muitas vezes a mulher passe anos sem saber o nome do que tem, o que dificulta muito as buscas na internet. Com relação às mulheres que atendemos aqui, mais de 30% (das que tem mais de 30 anos) afirma ter descoberto o termo “vaginismo” depois de pelo menos 2 anos de procura (na internet) por termos relacionados aos sintomas que apresentavam.

Quem não vivencia (ou vivenciou) esse tipo de problema pode achar que não é muito tempo, mas nesse meio tempo, o componente psicológico das DS femininas pode acarretar em graves consequências para os relacionamentos interpessoais da mulher que tem a condição, e não apenas isso, a sensação de impotência, de frustração e de desamparo pode ser o diferencial entre uma pessoa confiante que encara os desafios da vida (e os supera) e a pessoa que passa a ter medo de tudo (e muitas vezes não percebe).

Apesar do índice de desinformação dos médicos aparentemente não ter mudado muito nos últimos 5-10 anos, um número cada vez maior de mulheres está conseguindo receber informações e chegar ao tratamento graças à grande quantidade de Blogs, grupos de apoio, grupos de discussão e sites com informações referentes à essas DS na internet, e isso pode ser notado porque além  das mais jovens, é notável que houve um aumento significativo na procura de tratamento por mulheres com idades entre 40 e 75 anos, que são justamente as que tiveram mais dificuldades para obter informações logo que descobriram que tinham algum problema (se hoje ainda é difícil, imaginem como era antes da internet!).

Bom, mas precisamos falar também das coisas boas!!!

Sobre as iniciativas e projetos que ocorrem no SUS (em São Paulo), um ótimo exemplo é o Projeto Afrodite do Departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Lá são orientadas mulheres de todas as idades e com variados tipos de DS (desde diminuição/perda de libido até vaginismo), através de palestras com especialistas da área (psicólogos, fisioterapeutas e médicos), e também realizados os tratamentos adequados para cada uma delas.

É importante lembrar que apesar de muitos profissionais não saberem diagnosticar e orientar pacientes com DS, aqui na cidade de São Paulo existem excelentes ginecologistas (algumas não são nem especialistas em sexualidade) que estão acostumadas a atender mulheres com diferentes DS. Além disso, várias pacientes relatam que profissionais de outras especialidades médicas (como clínicos gerais, radiologistas e obstetras) é que foram os responsáveis por sugerir que elas poderiam ter alguma DS e fornecer alguma orientação.

Logo que comecei a atender mulheres com DS aqui em São Paulo, tinha muitas dificuldades em recomendar ginecologistas que entendessem do assunto para as minhas pacientes. Felizmente, com o tempo fui descobrindo algumas profissionais maravilhosas com as quais acabei desenvolvendo uma especie de “parceria”, e nem eu e nem as minhas pacientes nos arrependemos dessas escolhas.

Vou deixar abaixo os contatos delas:

Dra. Carolina Ambrogini
CRM: 102706
www.carolinaambrogini.com.br
Atendimento particular e plano de saúde Omint
End: Rua Funchal, nº 538 – cj. 81 – Vila Olímpia
Tel: (11) 3539-0084 / 3539-0085 ou Whatsapp: (11) 99187-4459 / 99832-6755

Dra. Maria Carolina Caporale Madi
CRM: 146026
https://www.doctoralia.com.br/medico/caporale+madi+maria+carolina-14831358
Atendimento particular
End: Rua Peixoto Gomide, nº 515 – cj. 136 – Cerqueira César
Tel: (11) 3288-9620

Dra. Cláudia Caponi
CRM: 82415
Atendimento particular e planos de saúde Bradesco, Porto Seguro, Omint, Cassi, Unimed Fesp e Central Nacional Unimed
End: Rua Doutor Diogo de Faria, nº 1202 – cj. 71 – Vila Clementino
Tel: (11) 5572-9126

 

Queridas, a  ideia original era fazer um texto muito mais abrangente sobre os problemas atuais que as mulheres enfrentam desde a descoberta até a solução das DS, mas só essa primeira parte ficou gigantesca  e acabamos decidindo por dividir em vários textos “menores”, que deverão (e serão!) postados nas próximas semanas.

 

Espero que tenham gostado!!

 

Grande bj

 

 

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Corpore & Mente

Tel: (11) 2495-7254 / 96340-0948

e-mail: liviafrulani@corporemente.com

 

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2 comentários em “Disfunções Sexuais Femininas: dificuldades no diagnóstico e orientação

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