Sexualidade

Vaginismo: por que precisamos falar mais sobre isso?

Olá a todas!

No último post falamos um pouco sobre a dificuldade de obtenção de diagnósticos das Disfunções Sexuais (DS) e apesar dessa ser a triste realidade em que vivemos, pudemos apontar algumas das poucas iniciativas e profissionais competentes e especializadas no assunto (podem e devem existir outras, mas citamos apenas as que temos um maior contato, referências e confiança para falar).

Apesar de não podermos afirmar qualquer coisa fora do município de São Paulo, acreditamos que essas condições só poderão ser encontradas em algumas das capitais (ou centros metropolitanos) do país, e infelizmente essa situação ainda está muito longe do mínimo adequado. Se aqui em São Paulo que é uma das cidades/estados mais ricas do país, com a maior concentração de profissionais especialistas e universidades/centros de pesquisas a situação é bastante precária, imagine no resto do país.

Mas então o que podemos fazer para mudar esse quadro?

Um bom começo seria que as mulheres que tiveram Vaginismo compartilhassem as (boas) experiências com profissionais de ginecologia, em grupos de discussão para servir de referência para aquelas que ainda não encontraram um profissional que tenha condição de orientá-las.

Já incluímos os nomes das ginecologistas para a página de indicações do Blog, conforme tivermos mais contatos e referências de outras profissionais, já iremos incluí-las automaticamente nessa seção.

Outra ideia “simples”, mas com tremendo potencial, seria que passássemos a falar mais e mais abertamente sobre o Vaginismo (na verdade todas as DS). Tanto profissionais quanto as mulheres que já passaram por essa condição têm plena noção do desgaste e sacrifícios (sem falar no tempo) da trajetória:

descobrir que há algo errado ⇒ diagnóstico ⇒ encontrar um tratamento ⇒ fazer o tratamento ⇒ cura

Sabemos que muitas mulheres mesmo após conseguirem solucionar a sua condição ainda se sentem bastante constrangidas em falar no assunto, mas pedimos que elas pensem: Será que isso é algo que eu desejo para qualquer pessoa?

Não é uma questão apenas de solidariedade ou sororidade, mas também é mais uma barreira a ser derrubada rumo à libertação verdadeira do Vaginismo, que seria a confiança e segurança para dar o seu testemunho (vamos falar mais a fundo sobre isso em um outro post).

Mas aí vocês podem nos perguntar: “Como é que vocês têm certeza que eu me expor vai ajudar outras pessoas?”

Simples! A grande maioria das mulheres que fazem tratamento conosco relatam que descobriram o que tinham procurando na internet, mas principalmente no caso de Vaginismo elas apenas descobriram o termo quando encontraram depoimentos de outras mulheres.

Querem mais motivos?

Muitas vezes perguntamos para as pacientes se algum familiar ou alguma pessoa próxima (fora o parceiro) tem e ou sabe sobre a condição delas, e normalmente ouvimos a resposta: “…ninguém no meu círculo de amizades tem esse tipo de problema e eu também não contei para ninguém”. Muitas delas ficam assustadas quando dizemos: “Se você não contou para ninguém, como sabe que alguma conhecida sua tem ou teve o problema e não falou para você?”.

Por mais surreal que pareça, é extremamente comum recebermos mensagens de pacientes ou ex-pacientes dizendo que contaram sobre o problema para alguma amiga e descobriram que ela (ou outra pessoa próxima a ela) tem/teve algum problema parecido (e muitas vezes não fazia a menor ideia do que estava acontecendo).

E isso não é conversinha para a amiga não se sentir mal não! Várias dessas pessoas acabam nos procurando para fazer tratamento (ou pedem para indicarmos alguém mais próximo nos casos de pessoas de fora da cidade/estado). Apesar dos nossos dados indicarem que isso acontece em aproximadamente 15% do total de casos que atendemos, essa porcentagem pode ser ainda maior porque não temos como saber se todas acabam contando para alguém mesmo depois de terem alta (fisioterapêutica).

Quando falamos em testemunho, não estamos querendo dizer que a pessoa tem que falar sobre o caso dela, pode até dizer que “viu em algum site”, “apareceu no Facebook” ou “leu em uma revista”. O importante é falar sobre o assunto porque não sabemos quem são as pessoas que precisam dessa informação, às vezes nem é para a pessoa com quem você conversa, mas ela pode passar essa informação adiante e atingir alguma mulher que assim como você está passando pelos mesmos sentimentos de alienação de quando descobriu que tinha Vaginismo.

Pode até parecer que falar sobre o assunto pode não vai mudar muito a situação atual, mas com certeza, a difusão da informação ajudará a diminuir significativamente o tempo que as mulheres “normalmente” levam entre descobrir a condição até o diagnóstico e tratamento. Além disso, pode ajudar muitas mulheres em regiões distantes dos grandes centros metropolitanos a encontrar esperança para a sua condição, ao invés de ficarem achando que “só elas tem esse problema e que isso não tem solução”.

Desculpem por mais um textão, mas às vezes temos tanto assunto pra desenvolver que não temos como fazer um texto simples. Muitas coisas ficaram de fora deste post e do anterior (que originalmente eram um texto só), mas em consideração a vocês acabamos deixando de lado. Para não ter problemas, gostaríamos de deixar claro que tanto este texto como os outros correspondem às nossas opiniões embasadas na nossa experiência, e portanto, não necessariamente irão cobrir todos os nuances das diferenças entre as mulheres que tem alguma DS.

bjs 

 

 

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