Sexualidade

Muito Além do Financeiro: O real valor do tratamento fisioterapêutico de Vaginismo – I

Olá queridas,

 

A nossa ideia original era fazer um texto simples e pequeno, mas pra variar, enquanto discutíamos o assunto, mesmo tentando ser bastante superficiais a coisa tomou uma proporção de tese. Já há algum tempo estávamos pensando em fazer textos menores no formato de série, e devido ao tamanho, decidimos por inaugurar essa modalidade dividindo este texto em duas partes.

Devido a vários comentários e sugestões que recebemos por causa do texto da semana anterior, decidimos falar um pouco sobre a relação custo x benefício do tratamento de Fisioterapia Uroginecológica para Vaginismo.

Por que falar de custo x benefício?

Em primeiro lugar, é importante salientar que pelo menos aqui na clínica, nosso interesse é ajudar as pessoas a melhorar a sua qualidade de vida (o Dr. Marcelo sempre fala que aqui salvamos o mundo uma mulher de cada vez), oferecendo o melhor e mais completo tratamento possível para reduzir ao máximo a quantidade de sessões necessárias. Não é indicado a nenhuma paciente a continuidade de qualquer tipo de tratamento se não houver necessidade. Quando damos a alta fisioterapêutica para uma paciente, é uma garantia que se ela seguir as recomendações que são passadas, a condição tratada não retornará (à exceção de fatores externos que possam desencadear um novo processo).

Ok, mas e daí?

Um tratamento de qualidade com um profissional competente tem um valor muito maior do que o custo monetário em si, já que ele contribui pra que a mulher possa ter uma vida sexual plena, e ajuda no desaparecimento de processos psicológicos negativos como a baixa auto-estima, auto-depreciação, auto-sabotagem e depressão (em alguns casos é necessário apoio psicoterapêutico). Os efeitos sinérgicos do tratamento, ainda contribuem para melhorar significativamente o relacionamento com o parceiro (mais pelo lado psicológico do que o sexual), evitando maiores problemas e dissabores para a mulher, e podem ser extremamente benéficos do ponto de vista de questões profissionais (promoções/oportunidades) e de relacionamentos interpessoais.

Então, por que existem tantas mulheres que fizeram o tratamento e não obtiveram a cura?

A questão principal é que o índice de desistência dos tratamentos para Vaginismo é bastante alto, de acordo com os relatos que recebemos/ouvimos e pela nossa própria experiência acreditamos que o número deva girar em torno de 30 a 40%. A grosso modo, estimamos que a probabilidade de desistência aumente de acordo com algumas questões pessoais (psicológica individual e relacionamento) e com o tempo de tratamento (que a partir de 10 sessões passe a ser muito mais importante). Vamos nos aprofundar no assunto mais para frente.

Mas vocês não dizem que o tratamento de Fisio Urogineco para Vaginismo é 100% eficaz?

Sim, a eficácia do tratamento Fisioterapêutico para os casos de Vaginismo Psicológico e de causas físicas é de 100%, o que acontece é que muitas mulheres não estão preparadas mentalmente para se superar e vencer o vaginismo. Não existe “milagre” ou “mágica”, como sempre dissemos, o tratamento depende da mulher estar realmente disposta e ter bastante motivação para obter a cura.

Se eu fizer outros tipos de tratamento (sem ser com Fisioterapeuta) não dá na mesma?

A Fisioterapia Uroginecológica é o único tipo de tratamento com eficácia cientificamente comprovada que existe atualmente. Para ninguém ficar com “mimimi”, existem algumas combinações de terapias comportamentais cognitivas aliadas ao uso de dilatadores (com supervisão de um ginecologista) em consultório, e que produzem bons resultados, no entanto, por motivos que desconhecemos, esse tipo de tratamento não é realizado no Brasil.

Entendemos que devido a vários motivos, muitas pessoas questionam a validade, importância e eficiência do tratamento Fisioterapêutico, optando por realizar tratamentos “caseiros”, receitas obscuras de internet, terapias “alternativas” realizadas por pessoas de conhecimento e profissionalismo questionáveis (não vamos comentar, mas para deixar claro não estamos falando de Terapeutas Holísticos, mas sim de uma grande variedade de picaretas que tem aparecido recentemente), e até mesmo curas espirituais. Alguns desses métodos podem até funcionar, mas sua eficácia é bastante restrita, não contemplando a totalidade das mulheres com Vaginismo.

Para não parecer que o objetivo do texto seja criticar e/ou prejudicar profissionais de outras áreas, gostaríamos de deixar claro que a principal causa da desconfiança que faz com que as pessoas procurem essas “curas milagrosas” é o trauma com tratamentos fisioterapêuticos realizados com profissionais não/ou pouco capacitados.

Infelizmente esse tipo de ocorrência tem aumentado bastante nos últimos tempos. Só neste começo de ano recebemos mais de 50 relatos desse tipo (considerando todo o território nacional), fora um número incontável de relatos que recebemos ao longo dos anos na nossa prática profissional. Vamos dar alguns exemplos: fisioterapeuta que passa 5 sessões apenas conversando com a paciente; profissionais que não utilizam nenhum método “interno”, apenas trabalhando externamente o assoalho pélvico; uso exclusivo de eletroestimulação (intravaginal ou intra-anal) durante o tratamento; sessões que duram somente 15 minutos e a paciente nunca tem alta; fisioterapeuta que apenas ensina a paciente a fazer os exercícios em casa e não realiza nada “físico” no consultório. E esses são apenas a ponta do iceberg.

Acabamos por deixar para falar separadamente, um dos casos mais chocantes que ficamos sabendo. Uma mulher (que posteriormente fez o tratamento conosco) que entrou em contato pedindo informações sobre como era feito o tratamento de vaginismo. Expliquei como funciona nosso processo e como são feitas as sessões, logo em seguida ela respondeu dizendo que tinha visto que oferecemos Pilates Clínico e queria saber sobre o uso do mesmo no tratamento de vaginismo. Estranhei a pergunta e respondi que ela devia estar fazendo alguma confusão, já que apesar de todos os benefícios do Pilates Clínico, e de disponibilizarmos o mesmo na nossa clínica, se tratavam de duas práticas totalmente separadas, e que não existe tratamento de vaginismo através do método de Pilates. Em poucos minutos ela respondeu dizendo que havia entrado em contato conosco porque estava desconfiada de estar sendo enganada, já que ela havia feito 4 sessões de Pilates (misto e com mais pessoas na mesma sala), e ao questionar a profissional responsável que a atendia, a mesma informou que era assim mesmo, e que posteriormente a ensinaria a utilizar os dilatadores em casa.

Infelizmente, a grande maioria das mulheres com vaginismo, por medo de se expor ou de expor sua condição, acabam não denunciando esse tipo de profissional.

Nesses exemplos, nem citamos quais casos foram atendimentos particulares ou de plano de saúde, já que aparecem em ambos os casos.

Citamos apenas algumas das reclamações mais recorrentes, mas temos certeza que existem muitas outras (inclusive de profissionais da área de ginecologia e psicologia) que fazem com que as mulheres passem a ter desconfiança de tratamentos fisioterapêuticos. Por isso recomendamos às mulheres que procurem referências de tratamento em grupos de apoio (disponíveis em diversas redes sociais) e investiguem o currículo da profissional com quem estão procurando atendimento. Normalmente essas pessoas que adotam más práticas profissionais não tem currículo disponibilizado na internet ou não possuem formação adequada na área.

E qual é o problema do tratamento “caseiro”?

Bom, essa resposta e muito mais vocês irão ler na segunda parte do nosso texto 😉😘

 

 

 

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2 comentários em “Muito Além do Financeiro: O real valor do tratamento fisioterapêutico de Vaginismo – I

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