Sexualidade

Muito Além do Financeiro: O real valor do tratamento fisioterapêutico de Vaginismo – II

Olá queridas,

Antes de retomar o assunto, com base nos feedbacks que recebemos das pessoas que leram o texto anterior, decidimos fazer um pequeno adendo para evitar ao máximo qualquer tipo de mal entendido, e ao mesmo tempo contemplar alguns relatos interessantes que recebemos.

Muitas pessoas reclamaram que as fisioterapeutas não entregam os “truques” do tratamento para poder lucrar com isso. Essa afirmação é no mínimo injusta porque seria a mesma coisa que dizer que um engenheiro não conta os “truques” da sua profissão/formação para evitar que as pessoas pudessem construir as suas próprias casas.

Vamos deixar claro que não estamos aqui simplesmente para “falar mal” dos tratamentos “caseiros” (ou “alternativos”), mas para apontar os problemas que obviamente existem (se fossem 100% eficazes e seguros, não estaríamos discutindo isso aqui e nem haveria necessidade de contínuos estudos e pesquisas sobre o assunto tanto na área de Fisioterapia quanto na de Psicologia).

Outra questão importante que precisamos falar antes de continuar é sobre o diagnóstico das Disfunções Sexuais Femininas (DSFs). Ainda é bastante comum atendermos ou recebermos mensagens de pessoas que “alegam” terem sido diagnosticadas (ou se auto-diagnosticaram) com uma determinada disfunção, mas ao examinarmos o relato mais cuidadosamente, existem várias pistas que sugerem que o problema da pessoa é diferente do relatado. Como já falamos em posts anteriores, existe muita confusão com relação ao diagnóstico das DSFs, já que elas de certa maneira são muito parecidas.

Apesar de que para uma Fisioterapeuta Uroginecológica esse fato não faz muita diferença (já que ela fará uma avaliação antes de atender a paciente, e o tratamento das condições é bastante similar), para quem passa com no máximo uma ginecologista (ou se auto-diagnosticou) e vai fazer o tratamento “caseiro”, pode fazer toda a diferença do mundo. O que acontece é que uma das dificuldades do tratamento é justamente a superação das “dores” iniciais da paciente. Não que o tratamento machuque de alguma maneira, mas temos casos de pacientes que realmente sentem dor (o que indica que pode ser uma dispareunia ou um vaginismo derivado de uma dispareunia), e pacientes que acham que vão sentir dor (algumas chegam até a gritar quando encostamos o dedo, mas após alguns segundos quando elas se acalmam, percebem que não sentem dor nenhuma – na pior das hipóteses alguma ardência ou desconforto). Para quem faz o tratamento em casa, a superação dessa fase inicial é complicada porque em caso de dor real (dispareunia ou mesmo vulvodínia), por mais que a pessoa insista, sem aliviar os pontos de dor ou dessensibilizar a região, o tratamento não progride (e o quadro pode até agravar).

E isso tudo nos leva ao ponto de partida do post de hoje…

 

E qual é o problema dos tratamentos “caseiros”?

As técnicas e “instrumentos” utilizados nos tratamentos “caseiros” normalmente são versões bastante simplificadas daquilo que é utilizado nos tratamentos fisioterapêuticos e, portanto, tem um certo grau de eficácia comprovada (em outros países kits de dilatadores com livros e guias para realizar o tratamento são bastante populares). Até aí tudo bem, na teoria isso deveria ser suficiente para resolver 20 a 35% dos casos de vaginismo SE o problema fosse apenas físico, mas mesmo quando os sintomas psicológicos são bastante sutis, existem vários mecanismos “invisíveis” e inerentes à condição que muitas vezes impossibilitam o auto-tratamento.

Hoje em dia, pode-se encontrar facilmente uma grande variedade de “receitas milagrosas” ou de livros de auto-ajuda que oferecem uma cura fácil/natural/barata de uma grande variedade de condições em “x” passos, no entanto, não apenas parece bom demais para ser verdade como chega a ser irreal. Apesar de ser possível fazer diversas generalizações de quadros psicológicos e físicos, principalmente no caso das DSFs, cada mulher tem as suas particularidades (condição dos músculos do assoalho pélvico, grau de vaginismo, grau de ansiedade, etc), o que muitas vezes inviabiliza a utilização desses tipos de “guias” padronizados. Por exemplo, um dos problemas comuns é a intensidade e frequência de realização dos exercícios, que quando insuficiente não dá resultados, e quando em exagero pode provocar lesões, que eventualmente provocam mais dor e ardência, facilitando o surgimento de infecções. Cada um deles isoladamente já seria um problema, mas principalmente quando essa sequência se realiza, normalmente aumenta o tempo de tratamento, e em último caso, também aumenta a probabilidade de abandonar o tratamento.

A tragédia real desse tipo de prática (além das dificuldades inerentes) é que para cada mulher que consegue resolver pelo menos o componente físico do Vaginismo, deve haver pelo menos 5 ou 6 que além de não conseguirem, ainda acabam agravando o seu quadro.

O quadro de ansiedade e/ou medo que as mulheres com vaginismo apresentam é o principal responsável pela dificuldade em realizar os exercícios sozinhas. Mesmo nos casos de sucesso, é muito raro que uma mulher consiga terminar o auto-tratamento sem ter procrastinado (ou desistido) várias vezes. A grande maioria das mulheres acaba “ensaiando” algumas vezes para começar (fora a demora em procurar alguma ajuda e depois para comprar o kit de dilatadores), e dessas, várias acabam desistindo (algumas de vez!) antes de conseguir introduzir um dedo ou mesmo o menor dilatador. Tudo isso devido aos efeitos da ansiedade sobre o humor/ânimo das mulheres. Os “fracassos” sofridos no decorrer desse processo acabam retroalimentando todo esse sistema de ansiedade e, consequentemente, agravando o quadro psicológico e a dificuldade para realizar os exercícios. Além disso, existem os prejuízos emocionais decorrentes de todo esse processo Mesmo que esse mecanismo seja “apenas” psicológico, há o risco de agravar o grau de vaginismo físico em si. Outro fator que pode aumentar os níveis de ansiedade/frustração são os relatos de sucesso em blogs e grupos de apoio nas redes sociais (vamos falar sobre isso em um post futuro).

Não nos aprofundamos muito na descrição desses processos porque quem passou/passa por isso sabe exatamente do que estamos falando, e quem nunca passou, não vai entender por mais que expliquemos (se ainda assim alguém tiver dúvida, pode comentar aqui no post).

 

Concluindo

É compreensível que mulheres com dificuldades financeiras ou que morem em regiões que não tem um profissional próximo acabem tentando os tratamentos “caseiros”, mas quando se tem a facilidade de ter um profissional na mesma cidade (pelo menos), sugere-se que a pessoa avalie os riscos que ela está correndo ao procurar tratamentos alternativos ao Fisioterapêutico.

É bastante comum atendermos pacientes que originalmente tentaram fazer o tratamento sozinha em casa, mas mesmo após um período entre 3 e 8 anos, não obtiveram sucesso e acabaram desistindo, além de outras que às vezes ficaram ainda mais tempo insistindo. O grande problema infelizmente não é o tempo, mas sim os prejuízos emocionais, profissionais, financeiros e de relacionamentos sofridos. Algumas acabam passando por dois ou mais relacionamentos que “naufragam” antes de procurar tratamento. Isso tudo tem um reflexo significativo sobre o grau de Vaginismo da mulher (que vai aumentando), que pode ser traduzido na necessidade de um número muito maior de sessões de Fisio e Psicoterapia, além disso, as questões psicológicas ligadas a personalidade e relacionamentos se tornam mais difíceis de serem resolvidas.

A principal vantagem do tratamento Fisioterapêutico é a ausência de efeitos colaterais, já que apesar das técnicas tradicionais estarem no limite de eficiência, produzem resultados seguros e consistentes. Ao contrário, diversas outras práticas ou tratamentos “alternativos” que além da possibilidade de não dar resultados (ou servirem para outras questões que não das DSFs em si), ainda podem deixar sequelas ou causar outros problemas a médio e longo prazo. Temos recebido muitos pedidos para falar sobre a questão do uso de Botox, mas ainda estamos tentando obter algumas informações e isso ainda vai levar um tempo, no entanto, podemos dizer que esse tipo de tratamento é o que mais tem potencial de geração de problemas para as mulheres.

Por exemplo, já recebemos pacientes que fizeram tratamentos Fisioterapêuticos com profissionais não ou pouco capacitados que realmente apresentavam um grau de melhora nulo ou pequeno. No entanto, algumas que fizeram outros tipos de tratamentos (sem fisioterapeuta), normalmente apresentam um quadro agravado da parte física e psicológica do Vaginismo, além de terem sofrido bastante com questões derivadas do tempo dispendido.

O tratamento Fisioterapêutico é 100% eficiente para os componentes físicos da condição, mas depende da cooperação da paciente. Existem diversos casos em que a mulher não consegue obter a cura, devido principalmente aos componentes psicológicos da condição (lembrando que estamos falando para o caso de Vaginismo Psicológico). Nesse ponto, o acompanhamento por profissionais de Fisioterapia Uroginecológica, é ainda mais importante porque são eles que vão poder indicar para a paciente se será necessário algum tipo de acompanhamento psicoterapêutico antes, durante e/ou depois do tratamento. Nos casos onde isso é necessário, as pacientes são constantemente avisadas e lembradas dessa necessidade, mas não podemos impor esse tipo de orientação para ninguém. Nesses casos, mesmo que a paciente esteja fisicamente apta, devido aos componentes psicológicos, ela não consegue se relacionar ou sentir-se à vontade para ter relações.

Por tudo isso (e um pouco mais) é que podemos dizer sem sombra de dúvida que a procura por um tratamento Fisioterapêutico é a alternativa que vai dar melhores e mais seguros resultados no menor prazo de tempo, evitando desgastes, frustrações, desilusões entre outros problemas que afetam a qualidade de vida das mulheres.

Bjs e até o próximo post! 😘

 

 

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